PARIS

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Paris - França

   

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Diferente de outras grandes e belas cidades, Paris parece ser especial. Cidade da Torre Eiffel, do Arco do Triunfo, da Champs Élysées, do Palácio dos Inválidos – que guarda o túmulo e os restos mortais do imperador Napoleão -, das igrejas de Nôtre-Dame ou da magnífica Sacré-Coeur. Não é exagero dizer que quem chega a Paris pela primeira vez logo se apaixona pela cidade. Ou como o escritor americano Hemingway escreveu a um amigo em 1950: “Se você teve a sorte de viver em Paris, quando jovem, sua presença continuará a acompanhá-lo pelo resta da vida, onde quer que você esteja, porque Paris é uma festa móvel, que se carrega no coração.”

Tudo bem que Paris tem muitas estações de metrôs feias e mal cheirosas e gente que parece estar de mal com a vida. Mas os olhos se enchem a cada novo quarteirão, a cada novo cenário. O símbolo maior de Paris é a Torre Eiffel. Construída para a Exposição Universal de 1889, em comemoração ao centenário da Revolução Francesa, a torre de 324 metros de altura deveria ser um acréscimo temporário à paisagem de Paris, mas se tornou perpétua. Há três andares que podem ser visitados na torre e, dificilmente, você conseguirá subi-la sem enfrentar longas filas. Mas não desista, a vista vale a espera. À noite o agito é ainda maior. A cada hora cheia, a torre ganha uma iluminação adicional por dez minutos. Como se ela tivesse recebido uma carga elétrica, brilha igual a um pisca-pisca de Natal fora de época.

Les Invalides têm como maior atração o túmulo com os restos mortais de Napoleão Bonaparte. General aos 26 anos, imperador aos 33, morto no exílio aos 52 anos, Napoleão e sua trajetória ainda hoje fascinam não apenas os franceses. O sarcófago de Bonaparte está na cripta do Dôme. O túmulo está rodeado por uma coroa de louros e inscrições que relembram as grandes vitórias do império. O conjunto é grandioso e impressionante.

O complexo de edifícios (do Hotel dos Inválidos) foi concluído em 1676 e erguido por ordem do rei Luiz XIV para acolher veteranos de guerra feridos ou desamparados. O local, que já chegou a hospedar seis mil soldados, hoje abriga alguns museus como o Musée de l’Armée (considerado um dos mais completos museus de história militar do mundo). Lá é possível ver armaduras, armas e uma infinidade de objetos oriundos das Guerras Mundiais. Dali, pode se seguir para a Ponte Alexandre III, uma das mais belas, senão a mais bonita de Paris. A construção dessa ponte foi concluída em 1900.

Quem gosta de livros e antiguidades não deve deixar de visitar a área da Pont Neuf, que apesar do nome (Ponte Nova) é a mais antiga da cidade, construída em 1578. Às margens do Sena há um sebo a céu aberto com preciosidades.

Das igrejas não deixe de visitar a Saint-Chapelle, Nôtre-Dame (próximas uma da outra) e a Sacré-Coeur (em Montmartre). Considerada uma das obras-primas da arquitetura ocidental, a Saint-Chapelle era chamada na Idade Média de “portão para o céu” e foi construída para receber o que eles acreditavam ser a “coroa de espinhos” usada por Jesus Cristo durante o Calvário e outras relíquias religiosas. O objeto sagrado teria sido comprado de um imperador bizantino pelo rei Luiz IX. A igreja é formada por duas partes. A capela inferior foi dedicada a Virgem Maria e era destinada aos servos e pessoas comuns, enquanto que a superior era exclusiva dos reis e membros da corte. O acesso à parte superior é por uma estreita escadaria em espiral. Ao chegar lá em cima, o visitante tem a bela visão de enormes vitrais que circundam a capela. Com 15 metros de altura, eles relatam mais de mil passagens bíblicas do Novo e Antigo Testamento. Uma rosácea com 86 painéis representa o Apocalipse. Durante a Revolução Francesa a coroa e outros objetos desapareceram e a capela foi bastante danificada, sendo até transformada em depósito de farinha. Um século mais tarde, em 1846, ela foi restaurada e recuperou o seu esplendor.

A famosa Nôtre-Dame foi a igreja que inspirou Victor Hugo a escrever o clássico “Nôtre-Dame de Paris”. O livro conta a história de Quasimodo – o corcunda de Nôtre-Dame - e da cigana Esmeralda. Construída no lugar de um templo romano em 1163, quando foi lançada a pedra fundamental, a igreja serviu de berço para grandes eventos da história de Paris como a coroação de Napoleão Bonaparte, em 1804, e o funeral do presidente Charles de Gaulle, em 1970.

A Basílica de Sacré-Coeur, igreja do Sagrado Coração de Jesus. Sua arquitetura romano-bizantina chama a atenção já que é bem diferente das outras da cidade. A basílica foi construída para pagar uma promessa feita por Alexandre Rohault de Fleury, no início da Guerra Franco-Prussiana, em 1870. Ele prometeu construir a igreja caso a França escapasse do iminente massacre alemão. Apesar do cerco a Paris, a invasão não ocorreu e as obras começaram cinco anos mais tarde. Um dos tesouros da Sacré-Coeur é a estátua “Virgem Maria e o menino” do escultor francês P. Brunet.

Montmartre, o bairro boêmio de Paris, associado a artistas há 200 anos. Além da Sacré-Coeur, é aqui que fica a famosa casa de shows Moulin Rouge, aqueles do can-can, que inspirou o filme estrelado no cinema por Nicole Kidmann.

O Museu do Louvre, que possui um dos acervos mais importantes do mundo. São quatro pisos e três sessões que abrigam antigüidades gregas, etruscas, romanas, egípcias e orientais; pinturas e esculturas européias; objetos de arte; mobílias, pratarias, jóias, instrumentos científicos, armaduras... Na reformulação do museu, que teve início em 1984 e terminou em 1990, o então presidente François Mitterrand investiu mais de um bilhão de dólares. As pirâmides de vidro incorporadas à arquitetura do Louvre foram muito criticadas na década de 80, mas hoje fazem sucesso entre os turistas.

A Mona Lisa, de Leonardo da Vinci, é sem dúvida a obra mais concorrida de todo o museu. Não há um instante sequer que ela não esteja com menos de quarenta ou cinqüenta pessoas a sua frente a admirá-la. O quadro que era o xodó do gênio italiano o acompanhava em todo o lugar. A Vênus de Milo, uma estátua de mármore, é uma das mais importantes do museu e data do fim do século 2 ª a.C. Ainda há arte do Islã, da África, Ásia e América, as pinturas de Rubens, outras de da Vinci e uma infinidade de obras fantásticas. Entre os outros museus famosos da cidade estão Mussé d’Orsay e Mussé Rodin.

O Musée Grévin, de que se ouve pouco falar, é bastante interessante. Mistura ilusão, fantasia, história e muita brincadeira. Logo na entrada, um jogo de espelhos faz o visitante ficar mais alto, mais magro, mais gordo... Os corredores levam a um ambiente onde ficam várias estátuas de cera de personalidades famosas: Elton Jonh, Madona, Hemingway, Victor Hugo, Harrison Ford, Chaplin, dois brasileiros ilustres (Ronaldinho e Pelé), Leonardo de Caprio, o outro Leonardo (o da Vinci), Nostradamus e outros. Numa das salas, é contada parte da história francesa com Joana d’Arc, Napoleão Bonaparte, esposa, irmã e filhos, os reis franceses etc. A visita é divertida e recomendada.

Um passeio que parece um pouco sinistro, mas que normalmente aparece nos roteiros dos visitantes de Paris é o cemitério Pére Lachaise. Entre as personalidades enterradas ali estão Oscar Wilde, Allan Kardec, Chopin, Balzac, Edith Piaf, Marcel Proust, Sarah Bernhardt, Molière, Jim Morrison. A maioria sem muita ostentação. O túmulo do vocalista da banda The Doors, que morreu aos 27 anos, em Paris, talvez de overdose, está escondido no meio de outros túmulos. Mesmo assim é muito ou o mais visitado. Com medo de extravagâncias dos fãs, o túmulo do roqueiro rebelde que, ainda em vida, deu muito trabalho à polícia, é o único com guarda de plantão no cemitério. Parece engraçado, mas ele que vivia provocando os policiais em seus shows, agora tem a eternidade vigiada exatamente por eles. Além de fotografar e filmar o lugar onde o ídolo está enterrado, alguns fãs aproveitam o momento para fumar maconha.

No túmulo do escritor Oscar Wilde , o problema são os beijos de batom. Cinco anos depois de escrever O Retrato de Dorin Gray, Wilde foi condenado por “delito de homossexualismo”. Muito provavelmente quem deixa as marcas de batom no túmulo são os fãs que o vêem como um símbolo do amor livre. Além de beijos, muitos deixam flores e bilhetes.

Um dos túmulos mais bonitos é o de Pierre Abélard e Héloïse, protagonistas de um trágico romance interrompido na Paris medieval do século 12. Abelardo era um filósofo que se apaixonou por Heloísa, de quem era tutor, 20 anos mais nova. Os dois tiveram um filho, Astrolábio, e casaram-se às escondidas. Quando o tio de Heloísa, um clérigo de Nôtre-Dame, soube, enviou-a para um convento e mandou castrar Abelardo que foi viver na abadia de St. Denis, onde continuou seus estudos. Mesmo distantes, os dois se corresponderam, mas nunca mais se viram. Os dois só voltaram a se unir quase 700 anos depois, mortos, numa tumba em estilo neogótico.

Na Citè des Sciences & de l’Industrie de Paris se pode passar várias horas agradáveis. Existem atividades para crianças e normalmente ocorrem exposições interessantíssimas. Durante a nossa estada em Paris, vimos uma exposição sobre o Titanic, com toda a história do maior naufrágio do mundo, incluindo relíquias resgatadas do fundo do mar e réplicas de quartos luxuosos e dos mais simples.

Paris, como quase toda cidade francesa faz sua homenagem à guerreira e agora padroeira Joana d’Arc. Existe uma pequena igreja que leva o nome dela, num bairro um pouco afastado do centro da cidade.

A capital oferece ainda o Jardin du Luxemburg (um parque com 25 hectares bem no centro de Paris), o Quartier Latin, um bairro que esteve sempre associado a artistas, intelectuais e à vida boêmia - os restaurantes e café são bastante concorridos - desde a Idade Média. O lugar, às margens do Sena, abriga a famosa Universidade Sorbonne e a Shakespeare and Company (uma das mais glamourosas livrarias de Paris, com vista para a Nôtre-Dame).

É preciso dar uma parada na impressionante Ópera de Paris, na Place de la Concorde e no Centro Pompidou (construído em 1970, é um dos museus mais visitados do mundo). A fachada de vidro e o esqueleto de lajes de concreto, elevadores, escadas rolantes e tubulação de água totalmente à vista do Pompidou destoam um pouco da arquitetura parisiense e exatamente por ser diferente é impressionantemente interessante.

Dica - Paris é gigantesca e a malha de metrô, trem e ônibus é tão grandiosa como a cidade. Como aqui em Paris a maioria dos lugares são encantadores, o caminho é sempre uma festa para os olhos e vale a pena andar de ônibus ao invés de metrô, que apesar de ter muitas linhas, “esconde” a bela paisagem da cidade.

De Paris é possível fazer passeios pela região e conhecer o luxuoso Palácio de Versalhes (em Versalhes) com seu rico interior e seus vastos jardins ou se divertir na Eurodisney. Para os dois destinos, é possível ir pegando um trem no centro da cidade.

 

   

 

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